Meus vídeo-poemas

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domingo, dezembro 02, 2007

Eternos Laços

Eternos laços
Para Andréa Motta

Luh Oliveira
02/12/2007

Idos de primavera
dois mil e seis anos
ares bentos de poesia...

assim te encontrei
entre tantos
no vai e vem
das marés
de outubro...

sorriso franco
olhar fraterno
em busca de caminhos
adornados de flores
e poesia

cochichos virtuais
segredos abertos
planos viajantes...

era tempo
de infinitos laços

infindos
inacabados
eternos

era tempo
das rosas brotarem
dos pássaros cantarem
das borboletas
flutuarem em jardins
e arco-íris

era tempo
de primavera
entre mim e ti.

Achados e Perdidos




Perdi a minha bolsa
carregada de sonhos
e contas vencidas

balas de hortelã
beijos desejados
palavras escondidas

Perdi minha bolsa
na esquina
dos pesadelos
cruzamento
entre o sorriso
e a lágrima

Quem a encontrar
favor não guardar
jogue-a no abismo
da esperança
para que um dia
eu possa
encontrá-la

segunda-feira, julho 23, 2007

Menina


Ei menina
vai embora não...
Preciso de você
pra poder sonhar

Comer nuvem
com calda de chocolate
Morder a lua
e beber água do mar

Acreditar
que o amanha existe
e que todos são capazes
de mudar

Enxergar a alma de cada ser
e ter certeza de que a bondade
vai vingar

Ei menina
vai embora não...

no corpo desta mulher
ainda bate teu coração...

sábado, julho 14, 2007

A Morte em conta-gotas


De gota em gota
em leves doses
sinto a morte
tomando meu corpo

sem sabor
sem odor
sem sentido

força que se esvai
evapora em companhia
de lágrimas teimosas

doses homeopáticas
antipáticas
insistem em mudar
o curso do rio

corredeira
pedras
no fim de tudo
bela paisagem.

quinta-feira, julho 12, 2007

Sonhos a lados




Na janela do quinto andar
solto sonhos ao vento
vejo-os sobrevoando
a cidade desconhecida...
prédios cinzas ornamentam
avenidas enfeitadas de buzinas
pessoas que vem e vão
em direções contrárias
rumo à mesma estrela
posso avistar o mar ao longe
talvez o sonho busque
a água cristalina para repousar
talvez busque uma ilha
para se isolar
os olhos acompanham a cena
cinema mudo
palavras não têm voz
apenas desenham no papel
uma ponte
entre mim e o sonho
Talvez assim
seja possível
alcançá-lo.

domingo, julho 08, 2007

(DES)Encontros


A primeira vez que nos vimos
estava perdida na floresta
acreditei em seu conselho
pegou-me numa armadilha
satisfez seu desejo fedelho
Você, Lobo Mau
Eu, Chapeuzinho Vermelho.

A segunda vez que nos vimos
fizemos do amor uma guerra
nações em plena glória
fascinados pela doce beleza
que fez de mim tua jóia
Você, Menelau
Eu, Helena de Tróia

A terceira vez que nos vimos
guerreávamos pelo sul do país
justiça, paz, humanidade
luta por convictos ideais
igualdade, liberdade de verdade
Você, Giussepe
Eu, Anita Garibaldi

A quarta vez que nos vimos
chocamos toda uma sociedade
sangue que nos afasta
lutamos contra o mundo arcaico
ao amor demos um basta
Você, Édipo
Eu, Jocasta

A última vez que nos vimos
estávamos no mesmo horizonte.
seguindo em encruzilhada
enfeitados por cicatrizes
pela vida traquejada
Você, Caminho
Eu, Estrada.

quinta-feira, julho 05, 2007

Ciranda da Rosa Vermelha

Na ciranda
da Rosa Vermelha
beijaste minha mão
e me tiraste
para ser teu par.
Rodopiamos primavera adentro
fizemos canção pro vento
perfumamos todo o ar
Sapateamos na maré cheia
fizemos castelos de areia
oferendas pra Iemanjá
Te ofereci todo meu carinho
pus flores no teu caminho
conjuguei o verbo amar
Agora o inverno chegou
a ciranda parou
Rosa vermelha começou a murchar
Suas pétalas caem pela estrada
deixando marcas caladas
e uma leve tristeza no olhar
Nova ciranda rodando
tu em outras flores tocando
Rosa vermelha não vai mais voltar...


Niterói – RJ
02/07/2007 – 18:30h

segunda-feira, junho 25, 2007

Poema-instante


Profundo silêncio da madrugada
um ruído-inquietação em meu peito
Desligo o computador
por vezes, único companheiro
nas solitárias noites sem fim.
Percorro os cômodos da casa
Confiro se tudo está bem fechado
( Tempos em que bandidos ficam soltos
e inocentes presos em suas celas)
Paro diante do quarto das crianças
Tudo tão quieto!
As camas perfeitamente arrumadas
Todos os bichinhos de pelúcia no lugar
Os livros uniformemente organizados na prateleira
Nenhuma sandália espalhada pelo chão...

Por alguns instantes saio de mim mesma
E viajo em um tempo transcendental

Parada diante do quarto
Vejo berço, móbiles, fraldas
Escuto chorinhos dengosos
Seios fartos de leite-vida
Sinto o perfume lavanda-bebê..
As camas vão chegando
Os sapatinhos aumentam de tamanho
( como aumentam rápido!)

Chegam os uniformes escolares
As mochilas do Piu-piu
As paredes riscadas com garatujas
Os livros ilustrados preenchendo toda a estante

Chegam os diários
O rosa das colchas e lençóis muda de tom
No lugar das bonecas
Um mp3 em alto e bom som

Chegam as chaves das portas
E todos seus segredos
O salto alto, o volante
A coragem e todos os medos

No porta-retrato chegam as imagens masculinas
Os livros de histórias tornam-se romances
Os desenhos livres transformam-se em poesia.
O som das risadas e das temidas lágrimas
Os sonhos para o futuro
O eterno discordar de tudo
E seguir seu próprio destino...

Naquele breve instante
Ali
Parada
Diante do quarto
Vejo o tempo diante de meus olhos
E estive presente a cada segundo
Como anjo da guarda
Como mãe ou como fada
Errando para acertar
Amando só por AMAR..

Peço com força a Deus
Que as flores que de mim brotaram
Sejam muito melhores
E mais feliz que eu.

Embriaguez


Hipnotizada
pelo reflexo da Lua
dispo-me
de mim
e mergulho
profundamente
nesta taça
de vinho tinto
sobre a mesa
Conduzo-me
ao fundo
onde posso
abrir os olhos
e ver-me
claramente
refletida
no cristal
do tempo.
Embriago-me
em mim
só me basta eu
totalmente desnuda
imersa
no sangue-tinto
do seco vinho
Afogo-me
em meu delírio
até a última gota
de esperança
Após a ressaca
volto a ser
apenas mais uma
na multidão
sem graça.

sábado, junho 23, 2007

Vitoriosa


Sou vitoriosa
Quando abro os olhos
a cada amanhecer
Quando penso em Deus
e O deixo florescer
Quando levanto
de cada queda
Quando a esperança
em mim hospeda
Sou vitoriosa
Quando sou capaz
de fazer-te sorrir
Quando sei que sabes
que a mim podes vir
Quando o sono chega
e posso descansar
Quando me deito
livre pra sonhar
Sou vitoriosa
Quando descubro
que tudo é um recomeço
quando cada passo que dou
eu amadureço
Quando olho a lua
e vejo beleza na vida
Quando consigo sorrir
mesmo que ferida
Sou vitoriosa
Quando posso olhar-te
Bem no fundo
Quando posso sentir-te
Mesmo por um só segundo
Quando sinto que em ti
encontro abrigo
Quando sei que a vida
É sempre um grande perigo!
Sou vitoriosa!

Não perguntes


Não perguntes
às pessoas
quem eu sou!
Sou algo perdido
entre o mar e o infinito...
Pergunta às estrelas!
Talvez tua luz
me encontre
sobrevoando
o horizonte carmim...
Pergunta às conchas!
Talvez tua secreta fenda
me encontre
caminhando
entre falésias mirins...
Pergunta às gaivotas!
Talvez tuas doces asas
me encontrem
planando
no vento marfim...
Pergunta aos anjos!
Talvez teus iluminados olhos
me encontrem
brincando na areia
com algum querubim...
Não perguntes
às pessoas
quem eu sou!
Sou luz, poesia
dor, jardim...
Sou algo que
não tem começo
e nunca terá fim...

Dor



Dor que lateja
em lascas de sangue
jorrando da face
que o espelho reflete
Navalha afiada
transfigura o rosto
que não reconheço
Antigo álbum
de fotografias
detalhes que nunca
existiram
um sinal, uma ruga
um olhar
que já se foi
Preso no reflexo
côncavo e convexo
não sou eu
Mas a dor é minha...

Desesperança


Atravesso a madrugada
mergulhada em cicatrizes
marcas deixadas
em minha pele
rasgos ocultos
em minh’alma
Fito a sombra
que perambula
no piso frio
de um ser que morre
Flashes da memória
clareiam o breu da noite
trazem de volta
dores escondidas
Véu jogado aos ventos
vulcão de imagens
amargas sensações
Lágrimas revolvem
no âmago deste espectro
de vida
O sol custa a nascer
infinitamente noite
Ao redor tudo silencia
dentro de mim
grito escapado
A luz do dia
adentra pela janela
Talvez ainda haja
vida por trás da dor...

domingo, maio 27, 2007

Memória




Quero ficar
na tua memória
assim tão quietamente
que me sintas apenas
como aquele velho sinal
em teu corpo
que já nem percebes
não olhas
mas está lá
marcando tua pele
tal tatuagem do amar.
Quero ficar
na tua memória
de maneira tão terna
tão forte
tão abrangente
tal aroma do café
que fazes toda manhã
e que inunda a tua casa
enchendo-te de forças.
Quero ficar
na tua memória
tão serena e mansa
tão imperceptível
que não consiga agitar
a quietude de teus sonhos...
Quero ficar
na tua memória..
Quero ficar na tua pele...
Quero ficar em ti
pra sempre...

Lu Oliveira

29/04/07

domingo, maio 13, 2007

Mãe de todas as coisas


Quisera a Poesia
fosse mãe
de todas as coisas!
Com bondosas mãos
jamais deixaria
um filho
jogado no banco de uma praça.
Com doces palavras
jamais permitiria
que a tristeza
te pusesse uma mordaça
Com olhos de girassol
jamais conseguiria
deixar-te sozinho
em cruel escuridão
Com infinito toque
jamais pensaria
num filho
entre fogos de canhão
Ah... quisera a Poesia
fosse mãe
de todas as coisas!
Seria o universo
um poema lírico
com versos livres
entoando canções
de paz
entre os homens...
Seria o mundo
um camoniano soneto
com métricas rimas
enaltecendo o amor
de Deus
entre todas as criaturas
Quisera a Poesia
fosse mãe
de todas as coisas!
Seríamos ritmo
luz, cadência
alma humana
em profunda essência!

quinta-feira, maio 10, 2007

Aparador dos desejos




O doce toque
viaja
pelo néctar- flor
que habita meu corpo
Percorres meu habitat
ardente desbravador
de sensações
explosivas.
Gata no cio
a exalar odores
unhas afiadas
olhar felino
que te arrepiam
os sentidos.
Um calor
que vem da alma
aquece a avenida
que acorda
ao som dos pneus
que rangem
sob o quinto andar.
Desejo emana
em cascatas
ondas meteóricas
de sussurros
ao pé do ouvido.
Cálido beijo
sede
gemido
rosa primaveril.
Rio transbordado
travessia
em alto mar
Náufragos
em nossa
coesão de amar.

domingo, abril 22, 2007

Tinha um verso no meio do caminho


Tinha um verso no meio do caminho

no meio do caminho tinha um verso

tinha um verso

no meio do caminho

e como poucos caminhos

tinha um verso no meio

quis pular,

não alcancei

quis voltar,

não suportei

e como tinha um verso

no meio do caminho

peguei-o

fitei-o

contemplei-o

Nunca esquecerei deste acontecimento

Tinha um verso

no meio do caminho

E nem tinha as vistas fatigadas

E nem tinha a vida lastimada...

E nem sabia o destino que me esperava...

Agora tem um verso em meu caminho

Caminhos retos ou sinuosos

Já não sei andar em outra direção....

sexta-feira, abril 20, 2007

EntorpeSinto


Tenho a alma
entorpecida
por híbridas
sensações
jamais vividas
Gosto de
maçã verde
Cheiro de
fruta madura
Leve correr
do sangue
entre as células
da poesia
Inquieto relampejo
que conduz a mais
mosaica utopia
Sóbrio devaneio
Cortina entreaberta
Turquesa paisagem
Doce tom
de mistério
E passeio
sobre o horizonte
Escorrendo
gotas de vida
pela boca...

sexta-feira, abril 13, 2007

Jogo de azar


O que me espanta
e me aterroriza
numa noite
como esta
não é a sexta-feira treze
do terror e do azar
É a criança que chora
sem o leite pra tomar
É o idoso no asilo
expulso de seu lar
É o drogado nas ruas
é ver o crime
contabilizar.
O que mês espanta
e me aterroriza
É ver que monstros
não se escondem
sob lençóis brancos
mas sob a rubra face
de um ser humano
É saber que azar
Não é passar
por baixo da escada
Mas ver gente
sentindo frio
Dormindo
sob a sacada.
O que me espanta
e me aterroriza
É saber que
pra muitos
a vida é
um jogo de azar...

domingo, fevereiro 11, 2007

Contos de Noites sem Luz


Falta energia em pleno fim de tarde.Crianças chegam da escola maravilhadas e horrorizadas diante da escuridão que se anuncia.Logo as velas são acesas. Mais acesos estão os olhinhos deslumbrados das meninas.Uma vela, duas velas, três velas!
- Olha a minha sombra, mamãe!
- Veja o que faço com as mãos!
São os bichinhos de sombras.Diante de mim passa um filme, um flashback de minha infância.Lembro-me da mesa do jantar, da sopa quente perfumando o ambiente. Meu pai sentado na cabeceira. Minha mãe colocando as velas em cima da garrafa térmica para iluminar a mesa.
Eu e meus irmãos com os olhos brilhantes, fascinados pela situação.
À mesa, todos calados.
Minha mãe contava histórias de seu tempo de menina quando não havia eletricidade.
E os olhos iluminavam a imaginação...
Mais tarde, teatro de sombras.
Se era lua cheia, todos os vizinhos sentavam na porta de suas casas aguardando a luz chegar. Não havia novela, só restava contar histórias de arrepiar. E ouvíamos histórias assustadoras.
Lembro-me de uma senhora que morava num casebre humilde e que, na nossa mente, era uma bruxa disfarçada. Ela nos contava histórias mal assombradas e nos fazia personagens de um filme de terror.
Chegava a hora de dormir.... o medo do escuro, dos fantasmas...
A vontade de ficar com os olhos abertos pra ver os seres imaginados...
De repente, tudo se ilumina. As luzes se acendem...
O sonho acabou!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Encanto da lu(a)




Quando senti o sangue
Descendo por entre as coxas
(lágrima que rola
num adeus às bonecas)
De crescente
Tornei-me lua cheia...
Meu corpo, suave barro
expelindo essências
modelado pelas mãos
da suprema criação.
Nos olhos, estrelas cadentes
Nos lábios, néctar de flores
No ventre, fértil magma
Vulcão em erupção.
Nas mãos, rosas vermelhas
Regadas entre cinco espinhos.
Quando senti o sangue
rolando por entre as coxas
De crescente
Tornei-me lua cheia
E a cada estação
Irei te encantar...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Gravidez


E foi naquela noite enluarada

Que o gameta luz

Fecundou as letras...

Houve um trepidar de estrelas

No vasto céu de minha boca.

Aos poucos tudo silencia.

Faço uma descoberta.

Estou grávida!

Grávida de POESIA!

domingo, janeiro 14, 2007

UtopiAmor


Eu desejo um amor que me enfureça
Que me leve à loucura, êxtase profundo
Que me faça mulher em chamas
Que me tire o salto, desamarre os botões
E apague meus queimores ao anoitecer
Eu desejo um amor que me acalme
Que me sacuda os ombros
Que me faça companhia
Que me diga boas verdades
E que adormeça em meus braços até amanhecer.
Eu desejo um amor que me ilumine
Que seu sorriso me contamine
Que encare a TPM como brinde
Que me pegue no colo, rode, saltite
e segure firme em minhas mãos até o sol nascer
Eu desejo um amor que me encare
Que olhe sempre em meus olhos
Que não deixe que nada nos separe
Que colha flores do campo e tulipas
E floresça em meu caminho até envelhecer
Eu desejo um amor que ame
Que grite, que chore, que reclame
Que cante, dance , lute sem tatame
Que amanheça, que entardeça, que anoiteça.
E que me ame pra sempre até morrer...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Meio-dia


Meio-dia
Choro.
Sem motivo algum
Nem por isso ou aquilo
Choro porque choro
Algo me sufoca o peito
E dói-me a alma.
Meio -dia
Choro.
O pranto sobe-me garganta acima
Uma dor que não sei de onde vem
Uma gastura
Um destempero
Simplesmente choro.
Meio -dia
Choro
No céu o sol brilha voraz
Mas não ilumina meus pensamentos
No céu o sol impõe seu diadema dourado
Mas não reina em minha dor fulgaz
Dia claro, meio-dia,
Mundo iluminado
Sonhos esquecidos...
Meio-dia
Choro inteiro.