Meus vídeo-poemas

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segunda-feira, junho 25, 2007

Poema-instante


Profundo silêncio da madrugada
um ruído-inquietação em meu peito
Desligo o computador
por vezes, único companheiro
nas solitárias noites sem fim.
Percorro os cômodos da casa
Confiro se tudo está bem fechado
( Tempos em que bandidos ficam soltos
e inocentes presos em suas celas)
Paro diante do quarto das crianças
Tudo tão quieto!
As camas perfeitamente arrumadas
Todos os bichinhos de pelúcia no lugar
Os livros uniformemente organizados na prateleira
Nenhuma sandália espalhada pelo chão...

Por alguns instantes saio de mim mesma
E viajo em um tempo transcendental

Parada diante do quarto
Vejo berço, móbiles, fraldas
Escuto chorinhos dengosos
Seios fartos de leite-vida
Sinto o perfume lavanda-bebê..
As camas vão chegando
Os sapatinhos aumentam de tamanho
( como aumentam rápido!)

Chegam os uniformes escolares
As mochilas do Piu-piu
As paredes riscadas com garatujas
Os livros ilustrados preenchendo toda a estante

Chegam os diários
O rosa das colchas e lençóis muda de tom
No lugar das bonecas
Um mp3 em alto e bom som

Chegam as chaves das portas
E todos seus segredos
O salto alto, o volante
A coragem e todos os medos

No porta-retrato chegam as imagens masculinas
Os livros de histórias tornam-se romances
Os desenhos livres transformam-se em poesia.
O som das risadas e das temidas lágrimas
Os sonhos para o futuro
O eterno discordar de tudo
E seguir seu próprio destino...

Naquele breve instante
Ali
Parada
Diante do quarto
Vejo o tempo diante de meus olhos
E estive presente a cada segundo
Como anjo da guarda
Como mãe ou como fada
Errando para acertar
Amando só por AMAR..

Peço com força a Deus
Que as flores que de mim brotaram
Sejam muito melhores
E mais feliz que eu.

Embriaguez


Hipnotizada
pelo reflexo da Lua
dispo-me
de mim
e mergulho
profundamente
nesta taça
de vinho tinto
sobre a mesa
Conduzo-me
ao fundo
onde posso
abrir os olhos
e ver-me
claramente
refletida
no cristal
do tempo.
Embriago-me
em mim
só me basta eu
totalmente desnuda
imersa
no sangue-tinto
do seco vinho
Afogo-me
em meu delírio
até a última gota
de esperança
Após a ressaca
volto a ser
apenas mais uma
na multidão
sem graça.

sábado, junho 23, 2007

Vitoriosa


Sou vitoriosa
Quando abro os olhos
a cada amanhecer
Quando penso em Deus
e O deixo florescer
Quando levanto
de cada queda
Quando a esperança
em mim hospeda
Sou vitoriosa
Quando sou capaz
de fazer-te sorrir
Quando sei que sabes
que a mim podes vir
Quando o sono chega
e posso descansar
Quando me deito
livre pra sonhar
Sou vitoriosa
Quando descubro
que tudo é um recomeço
quando cada passo que dou
eu amadureço
Quando olho a lua
e vejo beleza na vida
Quando consigo sorrir
mesmo que ferida
Sou vitoriosa
Quando posso olhar-te
Bem no fundo
Quando posso sentir-te
Mesmo por um só segundo
Quando sinto que em ti
encontro abrigo
Quando sei que a vida
É sempre um grande perigo!
Sou vitoriosa!

Não perguntes


Não perguntes
às pessoas
quem eu sou!
Sou algo perdido
entre o mar e o infinito...
Pergunta às estrelas!
Talvez tua luz
me encontre
sobrevoando
o horizonte carmim...
Pergunta às conchas!
Talvez tua secreta fenda
me encontre
caminhando
entre falésias mirins...
Pergunta às gaivotas!
Talvez tuas doces asas
me encontrem
planando
no vento marfim...
Pergunta aos anjos!
Talvez teus iluminados olhos
me encontrem
brincando na areia
com algum querubim...
Não perguntes
às pessoas
quem eu sou!
Sou luz, poesia
dor, jardim...
Sou algo que
não tem começo
e nunca terá fim...

Dor



Dor que lateja
em lascas de sangue
jorrando da face
que o espelho reflete
Navalha afiada
transfigura o rosto
que não reconheço
Antigo álbum
de fotografias
detalhes que nunca
existiram
um sinal, uma ruga
um olhar
que já se foi
Preso no reflexo
côncavo e convexo
não sou eu
Mas a dor é minha...

Desesperança


Atravesso a madrugada
mergulhada em cicatrizes
marcas deixadas
em minha pele
rasgos ocultos
em minh’alma
Fito a sombra
que perambula
no piso frio
de um ser que morre
Flashes da memória
clareiam o breu da noite
trazem de volta
dores escondidas
Véu jogado aos ventos
vulcão de imagens
amargas sensações
Lágrimas revolvem
no âmago deste espectro
de vida
O sol custa a nascer
infinitamente noite
Ao redor tudo silencia
dentro de mim
grito escapado
A luz do dia
adentra pela janela
Talvez ainda haja
vida por trás da dor...