Meus vídeo-poemas

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domingo, agosto 23, 2009

Pedinte


Luh Oliveira
02/08/2009

Que importa
se tua língua
rasga cada
tatuagem
em minha pele
e teu suor
escorre
em meu ventre
faminto,
se dentro de mim
apenas tua voz
grita
implorando
migalhas
de amor?

Endógeno



Luh Oliveira
20/08/2009

musicalmente
teu corpo baila
movimenta o chão
que irradia teu brilho


silencioso e cadente
entre as estrelas
que adornam
o infinito
Insinuante delírio
que hipnotiza
leva –me a dedilhar
notas sustenidas
de um acorde
infindável

trafegas pelo ar
tão mansamente
que mal sinto
teu pés
nos meus

de olhos fechados
navegamos
espaços indefinidos

nas entrelinhas
de minhas coxas

tuas coxas te reconhecem
umedece-me
o solo fértil

e neste momento
somos apenas
partitura de uma
desconhecida canção

Contrariedade


Luh Oliveira
11/08/2009 05:42h

Ainda posso sentir
o perfume
inundando a pele
acariciada por mãos
intensamente

o olhar desnudo
o desejo que
pede tudo

entrelaçados
numa ilusão
dois corpos
se doam
ao som do infinito

a aurora traz
a crua verdade:
já não andamos
na mesma direção.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Inexistir?


Luh Oliveira
21/08/2009

É incrível o quanto a morte de um ente querido nos faz refletir sobre a vida ou o fim (?) dela. Encarar um corpo gélido, pálido, envolvido em flores e perceber que nunca mais iremos ver os olhos brilhando, o sorriso, as expressões faciais, ouvir a voz...Por alguns instantes dá-nos até a impressão de estarmos vendo o sono velado, sorriso nas entrelinhas da face. Por mais que crenças religiosas possam tentar confortar a dor da perda, é impossível não senti-la. É impensável não sentir a dor de quem chora o desespero, a saudade que não cabe em si. Pode haver vida após a morte, pode haver eternidade, pode ser que viveremos num paraíso celestial, mas o paraíso que conhecemos é este: o da carne, o do toque, o da pele, da voz. A ausência da alma dói. Ver num caixão um corpo querido, antes aconchegado, abraçado, sadio, é prever-se também. É entender que nada somos ou que somos todos tão iguais e não levamos absolutamente nada conosco, apenas deixamos lembranças e rastros por onde passamos. Velório é momento de dor e reflexão. É ponderar a vida. É perceber que não estamos tendo tempo de ter tempo para a vida. É se dar conta que constantemente perdemos a oportunidade de dizer o que sentimos e que pode não haver outro momento.É saber que alguém se foi sem ouvir o que você queria dizer.

É o caminho de nós todos, eis o mistério da fé.

Que saibamos alimentar bem a nossa alma com frutos de amor, justiça e sabedoria. Que saibamos ser humanos. Que saibamos valorizar a vida a cada segundo, que não deixemos de cantar e glorificar os sentimentos bons a quem queremos bem.

Pode ser que amanhã não estejamos mais aqui.

quarta-feira, agosto 19, 2009

IntiMim

Delicadamente
a espuma multicor
passeia
pela pele

curto-circuito
embala
o desenhar dos dedos
que acariciam-me

gemido
sussurro

prazer solitário
acompanhado
de fantasias
que se dissolvem
na explosão
do gozo.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Conflito


Luh Oliveira
11/07/2009

Há um silêncio
ensurdecedor
dentro de mim
na calada
desta noite
sem fim

Barulhos de
carros na rua
e o tic-tac
do relógio
por vezes conseguem
penetrar neste
diálogo incessante
que a cada segundo
torna-se mais
conflitante

Desejos evasivos
invadem pensamentos
que viajam inutilmente
em torno
do próprio eixo

-solitariamente-

Solidariamente
sonhos abarcam
a dor à deriva

resgatam do alto mar
o pulsar desfacelado
pela rotina do desdém

Pela janela
entram os primeiros
raios de sol
que apartam
o cruel duelo
entre meus eus

Parto



Luh Oliveira
24/07/2009

Tenho frio
essa imensa massa humana
a correr de um lado ao outro
não aquece minha alma

sinto-me vazia
a sobrevoar o infinito
em tons anis

meu corpo leve cânfora
a quem o vento
acaricia
sussurrando acordes de neon

por um instante
abarco em mim
todo sentimento do mundo

plenitude na essência

não preciso do calor da multidão
sou eu a luz
que ilumina os caminhos alheia

está em mim o magma da vida

em mim transcende o tempo
em mim percorrem os dias
em mim está a força da palavra
que precisa ser dita
em mim estão os versos
que nascem poesia

em mim está a poesia

terça-feira, agosto 04, 2009

Nua


Luh Oliveira

teu olhar
desnuda desejos
esquecidos
lambe a pele
de lembranças

duas taças escorrem
vinho tinto
na pele bronzeada
cenário de descobertas
mapa recém-descoberto

no vai e vem
das fragrâncias
que exalam
de mim
teu olhar
me veste
de fantasia dourada
que jamais acaba

eco vindo das ondas
do mar
que ancoram
em tua varanda

na madrugada vazia
desejos nus
vestiram tua cama
e tu nem notaste!

segunda-feira, agosto 03, 2009

MagicDance


27/07/2009

No gingado de corpos
entrelaçando-se
em passos silentes

- sensualmente –

rodopiamos no ar
envolvidos
como beijo lento

zoukeando em ritmo
lambailamos ao vento

suaves acordes
pulsar que avança
braços e pernas
se rendem
à fantasia
da dança

domingo, agosto 02, 2009

No ar - para Taynah Melo


Para Taynah Melo
23/05/2009

segue a melodia
que vem do peito
em passos suaves
baila no ar
rodopia, rodopia

leve é a sua alma
sapatilha de nuvem
saltita por entre estrelas
e brilha em nossos olhos

doce menina
postura de deusa
olhar de uma flor
que teus passos
sigam o sucesso
teu caminho de amor!