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terça-feira, maio 25, 2010

Inércia - uma crônica




Luh Oliveira
25/05/2010

Tenho pensado numa força estranha que por vezes se apodera da alma humana: a inércia. Aquela falta de vontade para tudo, sem ação, sem reação, sem tesão. Parece que nada a sua volta tem cor, é tudo preto e branco sem vida. O amanhecer vem pesado, o café-da-manhã não tem sabor, o aroma do café é água salobra. Sua casa se torna uma prisão; a rua, uma praça de guerra; o trabalho, um campo de concentração nazista. Qualquer pessoa é melhor que você, qualquer um pode fazer melhor aquilo que você faz, você é um nada com pernas que pesam o solo da angústia.
A inércia é uma força poderosa que se instala sem pedir licença e toma conta com tamanha voracidade que mal percebemos. Quando você se olha no espelho, ela está lá, estampada em seu rosto, fazendo careta, fazendo com que você se sinta a pior pessoa do mundo, com os piores problemas, com o pior corpo, com a pior mente. Nada presta. E ela costuma se instalar por dias a fio, até mesmo por meses e anos. Às vezes ela dá uma trégua, mas não vai embora não. Apenas deixa você relaxar um pouquinho e volta com força total.
Tudo muda ao seu redor. As pessoas nem percebem sua mudez, seu olhar mórbido, sua falta de entusiasmo, seu perecer. Isso porque você se esmera em esconder, faz o possível para que ninguém note a sua falta de cor. Tenta sorrir, disfarça, bate palmas, ri das piadas sem graça, beija o marido, acarinha os filhos...com vontade de sumir da face da Terra.
Será que a Física tem algo a ver com esta força?
Resta aguardar que essa indolência, essa apatia mude de tema, talvez com um acontecimento sonhado, até mesmo com uma simples palavra proferida da boca de quem se quer ouvir algo especial, um sorriso sincero, um abraço apertado. Às vezes apenas com um silêncio acalentador. E esperar que os movimentos da Terra se encarregam de fazer a vida prosseguir.