Meus vídeo-poemas

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terça-feira, novembro 11, 2014

Entre luas



entre luas
teu beijo
tocou
face plúmbea
inócua
serena

entre luas
teu olhar
fitou desertos
achou semente
regou terra

entre luas
estilhaços de
passado
acertaram
meu céu

e entre luas
fiquei
lu_a
me tornei

nua
lua
tua

entre as luas
do teu firmamento

Abs-tens(ç)ão



abstenho-me de  sangue
para que corram ideias
nas veias
abstenho-me de  voz
para que cantos ensurdeçam
meus domínios
abstenho-me de sonhos
para que o hoje me apunhale
nos olhos e nariz
abstenho-me de laços
para que os nós se desfaçam
na garganta
abstenho-me
abs...tenho a mim
abstenho-me de mim.

Portal

que me importa
se tua aorta
não comporta
o sangue
que me exorta?

palavra torta
rima morta

o verso recorta
a garganta do tempo
e exporta
e transporta
toda a vida
que a poesia

conforta.

sexta-feira, junho 13, 2014

Divagações




São tantos sonhos
que povoam
a mente in_sana

São tantos versos
e rimas
des_encantadas

São tantos suspiros
e arrepios
na alma

Que em uma
vida só
não cabe

nada

Confusão



Tudo que está
na palma da mão
tudo que muitas vezes
me jogou no chão
tudo em que um dia
acreditei
tudo que fui
e tudo que me tornei
tudo que está perto
e não alcanço
tudo que já fez
cair meu pranto
tudo que está
aqui dentro
guardado
sagrado
manchado
gritando
clamando
agonizando
tudo isso
pode ser apenas

um grande engano

Enchente




menina contempla
a chuva que cai
incessantemente


chuva fina
chuva forte

água que brota do céu
percorre a
silhueta branca
e lava os pensamentos

a chuva enfeitiça
a chuva fascina

menina e chuva
chuva e menina

chuva que alaga os olhos
chove em gestos e gostos
e jeitos e cores

chove fininho
chove dentro de mim

chuva menina em mulher
mulher em chuva menina

e chove
na aurora pungente
chove
até se formar rio
até se formar mar

ondas tempestuosas
lançam a coisas
em cursos distintos
e vai juntando coisas e seres
e sons e sensações
e transforma-se em cascata

água cristalina

e chove em mim

outra vez

E_namorar-se



E_na_morarei-me de mim

quando a lua mansa
tocar-me o mar
e o cintilar
da rosa dos ventos
fizer-me bússola
de meus instintos

e_namorarei-me de mim
a cada verso
sugado da noite fria
pálido, indócil, plácido
a cada rima dissoluta
desemaranhada do rol
de palavras ruivas

enamorarei-me de mim
e namorarei-me em mim

e lá morarei-me em mim

quinta-feira, junho 12, 2014

Intrusa



Ela entra furtiva
troca cores
ressalta dores
escolhe o penteado
e a cor do sapato
e vai ficando

sorrateira
muda o olhar
cala o que há pra falar

Ela adentra
furta
corrompe
boicota
enfeitiça

voraz ânsia
de assumir o comando

Ela cria versos
e acende estrelas

Ela adorna o ventre
e dança entre luas

Está aqui agora
e de repente
vai embora

É ela
invasora
fugidia
incisiva

A intrusa 
que mora
em mim.

Luh Oliveira


12/06/2014
23:10h

segunda-feira, junho 09, 2014

Anjo


quem me vê assim
calada e calma
não imagina
o mar que habita
em mim

mar azul verde cinza
ondas sonoras
e tempestivas
nuances de lua cheia
aquarela, nanquim

segredos de concha
arco-íris de águas vivas
sereias e peixe-espada
tartarugas e relíquias
tesouro de marfim

que me vê assim
a observar a lua
não imagina
o mar que habita
em mim

a_mar
que habita em mim

sem fim